quarta-feira, 12 de junho de 2013



O VOO DE ESDRAS...

Esdras já não pertence a este tempo.
Descobriu umas asas que existiam desde sempre.
Ele não havia tomado conhecimento delas antes.
Um dia percebeu que sozinho ia ao lugar que desejasse. A borboleta já não precisava arrastá-lo com suas brilhantes asas.
Alçou vou para um céu particular.
Deixou para trás todos os sonhos não realizados.
Aqueles que ficaram enterrados.
O seu baú de lembranças deixou guardado num lugar seguro.
No lugar em que vive agora já não necessita tanto das lembranças, nem dos sonhos.
Estar lá já é um sonho.
Esdras descobre-se a cada amanhecer um novo homem.
A mulher havia lhe contado de uns tempos muito anteriores ao tempo atual e vivia a insistir que eles guardavam todas as respostas.
Esdras ria, mas no fundo sabia que ela estava certa. Havia uma resposta gritando dentro dela quando a viu.
A mulher guardava dentro dos olhos o tempo que existiu.
O solitário descobriu-se não mais só.
Descobriu que ela estava sempre ao seu lado em pensamento. Não o deixaria mais, como nunca o deixara.

sonia delsin 


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