O VOO DE ESDRAS...
Esdras
já não pertence a este tempo.
Descobriu
umas asas que existiam desde sempre.
Ele
não havia tomado conhecimento delas antes.
Um
dia percebeu que sozinho ia ao lugar que desejasse. A borboleta já não
precisava arrastá-lo com suas brilhantes asas.
Alçou
vou para um céu particular.
Deixou
para trás todos os sonhos não realizados.
Aqueles
que ficaram enterrados.
O
seu baú de lembranças deixou guardado num lugar seguro.
No
lugar em que vive agora já não necessita tanto das lembranças, nem dos sonhos.
Estar
lá já é um sonho.
Esdras
descobre-se a cada amanhecer um novo homem.
A
mulher havia lhe contado de uns tempos muito anteriores ao tempo atual e vivia
a insistir que eles guardavam todas as respostas.
Esdras
ria, mas no fundo sabia que ela estava certa. Havia uma resposta gritando dentro
dela quando a viu.
A
mulher guardava dentro dos olhos o tempo que existiu.
O
solitário descobriu-se não mais só.
Descobriu
que ela estava sempre ao seu lado em pensamento. Não o deixaria mais, como nunca o
deixara.
sonia delsin

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