SOMOS SILÊNCIO E RUÍDOS
Eis o que somos: silêncio e ruídos.
Somos os esquecidos.
E os tão lembrados.
Quando passamos pelas ruas somos admirados.
Não pelo que somos hoje.
Mas pelos “ontens”.
Antes de “ontens”.
Ergo a mão e de leve o acaricio.
Na face. Nas orelhas, nas sobrancelhas.
Acaricio sua boca pequena.
Sua grande mão.
Coloco a cabeça no seu peito.
Pra sentir o bater do seu coração.
Se penso que somos e somos...
Guerreiros.
Os vencidos de uma guerra só.
Somos da terra o mais leve pó.
E somos.
Os batalhadores.
Numa terra estéril os trabalhadores.
Deixo que a mão caia e afundo ainda mais a cabeça no
seu peito.
...
Então eu a sinto.
Ela se aproxima.
Não me quer bem.
Nem mal.
Simplesmente me implora:
Faça o que eu não fiz.
Faça este homem feliz.
sonia delsin

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