sábado, 15 de junho de 2013



UM POEMA PARA O SILÊNCIO

Interrompê-lo?
Como e pra quê?
Se nele estou mergulhada.
Estou lá no fundo.
No profundo.
A absorvê-lo.
Eu queria hoje a voz que se perdeu nos “ontens”.
A voz que embalou meus sonhos.
De menina, moça, mulher.
E a voz não vem.
Foi-se.
Como foi o vento.
Como tudo vai.
Silenciosamente percorro caminhos.
Caminhos onde flores e pedras abundam.
Um espinho me fere e quietamente o retiro.
Continuo a andar.
Eu me abaixo para uma pedra pegar e acariciar.
Não é uma pedra.
É um cristal.
Nele vejo o meu rosto refletido.
Vejo cenas do passado.
Deixo que o cristal caia.
O sol se reflete nele em mil cores.
Então eu penso:
O que é esta vida?
Que é feitos dos amores? Dos sonhadores?
Do que se passou?
Tudo é ilusão de uma poetisa que muito sonhou?
Sigo e o silêncio segue comigo.
Só ele existe.
Eu não existo?
E insisto?
Vou sempre acreditar.
Vou sempre divagar.
Poeta gosta de sonhar, de flutuar...
Poeta nasceu para viajar.

sonia delsin 

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