METAMORFOSE
Eu era uma bolha lilás...
Rosa, azulada.
Multicor.
Vaporosa, solta.
Contava proezas.
Falava do amor.
Mas eis que me vi espatifada.
Ao chão caída, dissolvida.
Líquido a correr para o bueiro.
Chorei pelo mundo inteiro.
Eu era uma bailarina.
No palco me apresentando.
À medida que ia dançando me transformando.
Eu era a musa de um poeta tão romântico.
Era o seu tudo.
O seu “não sei o que mais”.
E o teatro desabou. Veio ao chão.
Entre os escombros a perna branquinha da dançarina
ficou estirada.
Retesada.
Uma seta pronta a ser atirada.
Era a mais bela rosa do jardim.
Carmim.
Uma roseira que se destacava e uma rosa um tanto
convencida.
Veio um vento forte.
A roseira vergou, vergou e se quebrou.
A rosa se espatifou.
Ao chão... ao chão...
... as pétalas caídas.
Triste quadro.
E o vento seguindo indiferente.
...
Mas tudo pode mudar.
Basta acreditar.
As pétalas caídas formaram um mosaico e com a ajuda do
vento que retornou novo desenho se formou.
Rosto sorridente. Tudo diferente.
sonia delsin

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