quarta-feira, 12 de junho de 2013



NUM PALÁCIO DISTANTE

Num palácio distante vivia uma princesa. Não era bela adormecida, nem branca de neve, nem a borralheira.
Cinderelas... contos de fada!!!
Não, era uma princesa de carne e osso.
O palácio era tão só uma casa. Uma casa simples.
Mas ela trazia dentro de si as recordações de um tempo em que morara num castelo de verdade. Fora mesmo uma princesa e guardava tudo em seu interior.
Cavalgava num outro tempo um belo cavalo branco. Os arreios eram todos muito bem acabados, em ouro trabalhados.
Os prados. Ah! Ela guardava os prados. Os quadros.
Os criados.
Que nome poderia ter esta princesa. Elisabeth? Luiza? Ana? Bom, podemos chamá-la de Helena.
Helena estava acostumada aos cristais, às joias, às roupas finas. Muito ouro, diamante, rubi, safiras.
Uma tiara toda trabalhada em belos diamantes ela jogara no lago só porque seu irmão a chamara de “Não me reles, não me toques”.
Principezinho valente e prudente. Correra antes que ela o alcançasse.
Bem feito! A boba ficara sem a tiara...
Uns olhos negros a espreitaram. Não, Marcos não seria o marido ideal. Já haviam escolhido alguém da família real.
Ela passava por Marcos (por força das circunstâncias) o ignorando, e ele a estava amando.
Que decepção! O príncipe escolhido não tinha nada que lhe tocasse o coração.
Mas ela não tinha opção.
Que judiação!
Desfilando uma a uma à sua frente a mulher de agora podia assistir cenas de outrora.
Um casamento com tanta pompa. Uma bomba!
Tanto luxo e tanta sofisticação e nada no coração. Tanto esplendor e nadinha de amor.
A de agora podemos chamar de Mariana. Mariana olha tudo e sorri um doce sorriso às lembranças.
Agora sim é feliz. Agora é a dona do próprio nariz.
É princesa de um reinado que dentro de si vive guardado.

sonia delsin 

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