RUAS MORTAS
Onde está a sua alegria?
Eu não me dei conta de que se estendeu um
véu de melancolia sobre essas ruas.
Quero a alegria quando ela já se cobriu de
tristezas.
Ouço o badalar dos sinos.
Tranquilamente a noite se debruça sobre
todas as coisas.
Busco a luz, a transparência!
E bruscamente me deparo com a opacidade.
São tristes as ruas nestas horas, são tão
tristes.
A saudade bate em cada porta e se procura
um porquê para essa saudade.
Cai a noite.
Olho ao meu redor e só vejo a noite.
Extremamente bela, mas escura e
melancólica.
E me vem lá de dentro uma vontade de não
penetrar na noite.
Não quero a noite.
Mas a natureza é indiferente ao meu apelo.
Indiferente ela segue o seu ritmo natural.
E eu me pergunto:
─Neste mistério que somos, saberei quem
sou, se nem sequer sei de onde vim e para onde vou?
Continuo a caminhar dentro da noite, entre
ruas calmas, silenciosas.
Vazias...
... ruas mortas...
Santa Rita do Passa Quatro, 16 de novembro
de 1976
sonia delsin

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