quarta-feira, 12 de junho de 2013



RUAS MORTAS

Onde está a sua alegria?
Eu não me dei conta de que se estendeu um véu de melancolia sobre essas ruas.
Quero a alegria quando ela já se cobriu de tristezas.
Ouço o badalar dos sinos.
Tranquilamente a noite se debruça sobre todas as coisas.
Busco a luz, a transparência!
E bruscamente me deparo com a opacidade.
São tristes as ruas nestas horas, são tão tristes.
A saudade bate em cada porta e se procura um porquê para essa saudade.
Cai a noite.
Olho ao meu redor e só vejo a noite.
Extremamente bela, mas escura e melancólica.
E me vem lá de dentro uma vontade de não penetrar na noite.
Não quero a noite.
Mas a natureza é indiferente ao meu apelo.
Indiferente ela segue o seu ritmo natural.
E eu me pergunto:
Neste mistério que somos, saberei quem sou, se nem sequer sei de onde vim e para onde vou?
Continuo a caminhar dentro da noite, entre ruas calmas, silenciosas.
Vazias...
... ruas mortas...


Santa Rita do Passa Quatro, 16 de novembro de 1976

sonia delsin 

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