OS AMANTES
Num espelho se refletia a imagem de dois
amantes.
Belos.
Porque a paixão embeleza.
Enriquece.
A paixão rejuvenesce.
Um casal que aos beijos e abraços
conseguia esquecer o tempo.
Já que ele morria naquela hora.
Toda tristeza ia embora.
Havia nos olhos da mulher um brilho que
lembrava as estrelas.
Tão brilhantes aqueles olhos verdes.
E o homem se encantava com aquela luz que
dela irradiava.
O corpo branco o fascinava.
A pele de seda o chamava.
Lascivamente ela lhe chegava.
Os cabelos claros tão sedosos.
Toda ela era delicadeza e frescura.
E tinha no olhar alguma coisa de pura.
Trazia na pele um cheiro de flor, nos
lábios um gosto de amor.
Era bela.
Da beleza calma de um lago.
Falava baixinho.
Fazia carinho e maluco o deixava com seu
chegar devagarzinho. Seu jeito mansinho.
O espelho ia guardando tudo, porque é o
guardador do tempo.
O esconderijo dos sonhos.
E os momentos escorregavam, escapavam...
Por um descuido bobo escoavam.
Os amantes se perderam na tentativa da
compreensão do que não se precisa compreender.
Deixaram escapar o que todo mundo quer
viver...
sonia delsin

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