quarta-feira, 12 de junho de 2013



O PARADOXO DE DOIS TEMPOS

Quando entrei naquele ambiente,
meus olhos correram primeiro para as duas taças limpas.
As taças de cristal que não foram usadas.
Depois meu olhar ficou pregado na garrafa de champanhe...
toda suada por fora.
O gelo há muito se fora.
Aos poucos, pequenos detalhes me pus a observar.
A toalha bordada a mão... Um mimo.
Os pratos de porcelana.
Os talheres de prata.
Os arranjos de flores tão lindos...
Na parede dois quadros me chamaram a atenção.
Obras de arte?
Não.
Aproximei-me e vi um nome no canto direito. Um pequenino nome de mulher.
Caminhei até uma vidraça que estava escancarada.
Lá embaixo duas crianças corriam e gritavam.
O resto era silêncio e silêncio pesado.
Peguei um guardanapo para enxugar uma lágrima.
Depois me sentei numa poltrona de canto.
Repentinamente uma música começou a tocar.
De onde vinha aquele som?
Não conseguia entender.
Era uma impressão?
Não era. Tenho certeza que não.
As notas vibravam e me balançavam.
Fechei os olhos, fiquei a absorver a melodia e uma brisa que entrava vinha me acariciar.
Fui relaxando meu corpo retesado.
Ele andava mesmo cansado.

Aos poucos o sono tomou conta de mim e sonhei.
Acho que voei. (Nos sonhos costumamos mesmo voar).
Me vi tão distante
no espaço e no tempo.
Me vi correndo num campo de trigo.
Meu vestido eu ia erguendo para não sujá-lo na barra.
Sentia o cheiro do lugar.
E o vento na cara.
E mais... eu não estava só.
Ao meu lado estava o meu amado.

Acordei.
A sala vazia... a mesa arranjada.
A brisa que vinha de fora já se transformara em rajada.
Depressa fui fechar a vidraça e a chuva chegou.
Meu coração ela inundou.

sonia delsin 

Nenhum comentário:

Postar um comentário