LEMBRANÇAS ANTIGAS
Como me lembro!
Da polenta com leite.
Do perfume das jabuticabeiras floridas.
Dos bambuzais balançando-se ao vento.
Eles rangiam e minha alma ansiava por
lugares novos.
Por outra vida. Outros porquês.
Eu nem me perguntava se um dia teria saudades
dos meus recantos.
Sonhava com outros horizontes.
Mas quando dei por mim o tempo passara e
deixara tão lá atrás tudo isso.
Não há sentido em recordar essas coisas
adormecidas.
Mas sei que de algum modo elas me
pertencem.
Elas são as respostas para o agora.
Tudo o que sou devo a esse longínquo
passado.
No fundo eu nunca mudei, sempre fui o que
sou.
Através dos tempos fui encontrando
respostas para minhas perguntas.
Mas o sonho sempre foi o mesmo, o caráter,
a fibra já nasceu comigo.
Insisti tanto em viver que sobrevivi desde
o instante de meu nascimento.
São Carlos, 29 de dezembro de 1994
sonia delsin

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